29 de fev de 2016

tanto dia tem


tem dia que eu sou baderna,
sou bagunça, sou espetáculo.
tem dia que eu falho.
que tropeço, que falo muito baixo.
tem dia que nem falo, não faço.
tem dia que mal sei o caminho de casa,
que todas minhas verdades são questionadas.

tem dia que sou amar,
sou mar, sou amargo.
tem dia que acordo pra enfiar a cara no barro.

tem dia que sou desordem,
sou desalinho, sou embargo.
tem dia que sou carência,
sou sozinho, sou fraco.

tem dia que só sou sorriso e sucesso.
tem dia que eu erro
e prometo a mim mesmo:
jamais o regresso.

tem dia que eu não cumpro minhas promessas.
tem dia que sou paciência,
tem dia que sou pressa.

tem dia que sou tempestade,
tem dia que sou orvalho,
tem dia que sou relento.

tem dia que sou frustrado.
mas todos os dias
eu tento.

15 de fev de 2016

Caverna


encontro-me ao tatear as cinzas da tua beleza:
estão rabiscadas em carvão e parede áspera
mas posso jamais tocá-la, qual grande graça
fixa aos meus próprios olhos, cor de incerteza.

sinto a maciez das tuas pétalas, a curva de teu murchar
e quero você em meu altar, sendo artista e sendo plateia
mas esse querer é senão sombra efêmera e vulgar
de uma tarde regular no meu mundo das ideias 

o que farei, enfim
quando esta parede desmoronar
ou esta luz sumir no entardecer?

ficarei então preso à batalha 
de querer sem poder tocar,
ou tocar sem jamais querer?


(foto de: https://www.instagram.com/fineart.photography/)

(poeminha escrito para um saudaoso Campeonato de Textos).